quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

TROFÉU BIGORNA 2009: A PREMIAÇÃO

Por Edgar Franco.

Dia 05 de dezembro aconteceu, no lendário Blackmore Rock Bar em São Paulo, a cerimônia de premiação do Troféu Bigorna para os melhores dos quadrinhos brasileiros no ano de 2009. O prêmio é organizado pelo Site Bigorna (www.bigorna.net) - maior portal dedicado aos quadrinhos nacionais da web, coordenado pelos pesquisadores e estudiosos das HQs Eloyr Pacheco e Humberto Yashima, assim como pelo quadrinhista Márcio Baraldi.

A proposta do Troféu Bigorna pode ser resumida nas palavras de Baraldi: "Valorizar e incentivar essa coisa que amamos tanto chamada Quadrinho Nacional! A política do site é conhecer e reconhecer tudo que está sendo feito dentro do Quadrinho Brasileiro, do mais tosco fanzine ao mais internacional dos autores, tudo com o respeito e senso crítico que só quem realmente produz quadrinhos é capaz de ter! Porque esta é a marca e diferencial do Bigorna: um prêmio e site criados e mantidos por profissionais que realmente escrevem, desenham, editam, e publicam Quadrinhos no Brasil! Gente que realmente está dentro do mercado e o conhece de Norte a Sul."

Em sua segunda edição, a premiação abarcou talentos de vários estados brasileiros e a cerimônia de entrega foi um momento realmente especial, uma verdadeira festa organizada por Márcio Baraldi que também estava lançando o seu novo álbum das, já notórias, personagens "Roko-Loko & Adrina-Lina". O bar Blackmore, um espaço aconchegante que além do palco e platéia conta com um mezanino, estava repleto de pessoas unindo duas tribos muito curiosas a dos roqueiros e a dos quadrinhistas e, claro, fãs de rock e de quadrinhos.

O grupo de quadrinhistas "Quarto mundo" montou um estande de vendas com dezenas de publicações de HQs independentes e autorais de talentos de todo o país, além disso o mágico Átila estava presente visitando as mesas do mezanino e entretendo os presentes com seus truques incríveis antes do início da premiação.

No espaço do Blackmore destacavam-se claramente a presença de alguns senhores, grandes mestres dos quadrinhos brasileiros que foram homenageados na premiação, dentre eles Diamantino da Silva, Antonio Luiz Cagnin & Álvaro de Moya.

Ao iniciar a premiação, Márcio Baraldi, tendo como assistentes de palco o cartunista Bira e sua linda filhinha de 8 anos, convidou o primeiro premiado da tarde para receber o troféu de melhor desenhista de 2009, o paulistano Luke Ross - que já desenhou para as editoras Marvel e Dark Horse incluindo títulos importantes como o Homem Aranha e Samurai.

Após os agradecimentos de Ross, subiu ao palco o roteirista Alvimar Pires dos Anjos, premiado por seu fabuloso trabalho com a série de fantasia e ficção científica Gilvath, desenvolvida em parceria com o lendário desenhista Mozart Couto. Seguiram as premiações de melhor cartunista para o talentoso Spacca e melhor jornalista especializado para Marko Ajdaric, do Neorama Quadrinhos - que infelizmente não pode estar presente.

Chegou minha vez, um momento de muita emoção e felicidaqde. Recebi o Troféu Bigorna 2009 para o melhor álbum de aventura/outros pela minha revista em quadrinhos Artlectos e Pós-humanos # 3, da editora Marca de Fantasia. Em meus agradecimentos destaquei o apoio fundamental de minha esposa Rose Franco durante os meus 20 anos de criação e pesquisa quadrinhística; dediquei o prêmio a todos os artistas da chamada linha poético-filosófica de quadrinhos, um gênero genuinamente brasileiro que está inclusive sendo motivo de pesquisa de pós-doutorado desenvolvida no Instituto de Artes da UNESP pelo prof Dr. Elydio dos Santos Neto - que honrou-nos com sua presença e a de sua esposa Marta, também uma estudiosa das HQs. Destaquei todos os editores de fanzines que ao longo dos anos abriram espaço para minhas HQs poéticas e experimentais e finalmente os editores que acreditaram na revista "Artlectos e Pós-humanos", inicialmente José Salles, da editora Júpiter II e atualmente, Henrique Magalhães, da editora paraibana Marca de Fantasia. Foi emocionante levantar o troféu e ver tantos amigos inestimáveis presentes ali.

A cerimônia continuou premiando categorias importantes como a de melhor blog/site de quadrinhos para o importante Zine Brasil, de Michelle Ramos - que infelizmente não pode estar presente, também o prêmio de melhor chargista para o notório mineiro de Uberlândia Maurício Ricardo, criador do site Charges.com.br e de charges animadas para diversos programas da rede Globo como Fantástico e Domingão do Faustão; Maurício subiu ao palco e demonstrou muita empolgação pela premiação em seus agradecimentos. O prêmio de melhor fanzine foi para Portal do Encantamento de José Pinto de Queiroz.

O prêmio de melhor editora foi para a paulistana Conrad que não teve representante na premiação e o de melhor editora independente para a Virgo, criada pelo grande cartunista Mario Mastrotti, que agradeceu de forma eloquente. O troféu de melhor publicação de humor foi para a revista MAD, seu novo editor Raphael Fernandes, responsável pela renovação do título, recebeu o troféu e agradeceu de forma irreverente.

A premiação de melhor livro sobre quadrinhos foi para Fantasma, de Marco Aurelio Luchetti, o editor Franco de Rosa foi receber o troféu pelo autor. A premiação "Contribuição à HQB (história em quadrinhos brasileira)" foi para a livraria especializada em quadrinhos Comix, o programa de TV HQ & Cia, de Cesar Freitas, e para o coletivo de quadrinhistas "Quarto Mundo" que levou meia dúzia de seus representantos ao palco fazendo muita festa e abrilhantando o evento com sua irreverência. O "Quarto Mundo" é hoje uma das inicitivas mais interessantes e profícuas de ação coletiva para a criação, publicação e distribuição de quadrinhos no Brasil, um exemplo a ser seguido. Parabéns a todos os envolvidos nessa brilhante iniciativa!

A premiação para os grandes mestres com uma vida dedicada aos quadrinhos, foi talvez o momento mais esperado da tarde. Dos 4 homenageados, apenas um deles não pode estar presente, o notório quadrinhista Rubens Cordeiro, os outros três estavam lá e propiciaram para os presentes um momento histórico para a HQB. Receberam o troféu das mãos de Baraldi, o espirituoso Diamantino da Silva, autor do livro Quadrinhos para Quadrados e editor do hístórico fanzine Mocinhos e Bandidos, o Doutor em Semiologia da Imagem pela Universidade de São Paulo (USP) e um dos primeiros estudiosos dos quadrinhos no nosso país Luiz Antonio Cagnin, e finalmente Álvaro de Moya, realizador da primeira exposição de quadrinhos do mundo, montada em São Paulo na década de 50, e autor de livros seminais como Shazam!

Para os amantes e estudiosos das HQS como eu, foi realmente um momento ímpar estar ao lado desses grandes mestres. Por último, o prêmio homenagem especial foi para a personagem Senninha da HQM editora. O fechamento da cerimônia aconteceu com um belíssimo solo de gaita do grande cartunista Bira.

Após a premiação o palco foi ocupado pela banda EXXÓTICA, com seu hard rock glam de letras inspiradas e presença de palco marcante que inclui maquiagens criativas personalizando cada músico. Seguiu-se o show da banda Cracker Blues, também muito bem recebido pelo público presente.

Para mim, além da emoção da premiação, foi um momento de reencontro com vários amigos da cena dos quadrinhos brasileiros, além de outros que tive a chance de conhecer pessoalmente como os amigos do coletivo Ravens House, Iam Godoy & Rosana Raven, vários integrantes do coletivo Quarto Mundo, entre tantos outros. Alguns amigos vieram de longe para prestigiar-me e assistir a premiação como o Dr. Hermes Renato Hildebrand, professor do Instituto de Artes da Unicamp, e o quadrinhista e irmão na arte Gazy Andraus.

Enfim, um dia pra ficar na mémoria! Congratulações aos organizadores do Troféu Bigorna e meus votos de que a premiação se perpetue por muitos e muitos anos ajudando a alavancar o cenário da HQ nacional.

Abraço pós-humano.

Seguem algumas fotos da premiação:


Edgar Franco em seu discurso de agradecimento (Foto de Gazy Andraus).

Edgar Franco com o Troféu Bigorna em mãos (foto de Iam Godoy - Ravens House)

Panorama do público (foto de Iam Godoy - Ravens House

Edgar Franco e a amiga Rosana Raven (foto de Iam Godoy - Ravens House

Edgar Franco com o troféu ao lado do amigo e irmão na arte Gazy Andraus (foto de Rose Franco).

Edgar Franco e a sua musa inspiradora e esposa Rose Franco (foto de Gazy Andraus).

O quadrinista Márcio Baraldi com seu novo álbum em mãos, Edgar Franco e o Prof. Dr. Elydio dos Santos Neto (foto de Rose Franco)

O mestre Álvaro de Moya com o Troféu em mãos (foto de Iam Godoy - Raven's House)

O mestre Cagnin recebendo o troféu (foto de Iam Godoy - Ravens House).

O chargista da rede Globo e do site Charges.com,br, Maurício Ricardo, agradecendo o prêmio (foto de Iam Godoy - Ravens House).

Show da banda Exxótica, logo após a premiação (foto de Iam Godoy - Ravens House Brasil).

__________________________________


Prof. Dr. Edgar Silveira Franco
Ph.D. in Arts & Multimedia Artist
FAV- UFG (Federal University of Goiás)
Phone (voice): +55 62 3268 3879
Brazil.
www.posthumantantra.legatusrecords.net
www.myspace.com/posthumantantras
www.fotolog.net/edgar_franco
www.ritualart.net

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

MonkeyJam

O MonkeyJam é ótimo para trabalhar com a técnica de animação Stop Motion. Ótimo por ser um software livre, gratuito, que pode ser "baixado" neste link.

Dicas: Salve as imagens nomeadas em sequência numérica, todas dentro de uma pasta que você saiba que os arquivos não serão removidos ou alterados, pois o MonkeyJam faz uma espécie de link para as imagens. Isto é, se você apagar as imagens do seu computador, as imagens que estão dentro do programa também desaparecerão. Outra dica é a de salvar o seu projeto dentro desta mesma pasta com as imagens.

Menu > File > Import > Images > selecione a pasta em que está suas imagens > Selecione as imagens a serem utilizadas > add files > import.

Abra o programa e importe as fotos conforme a imagem.



Após feito isso, você notará que as imagens foram para uma área correspondente aos frames. Como já sabemos, uma animação mais "realista" utiliza 24 frames por segundo (FPS), já que esta é a capacidade que os nossos olhos têm de ver uma cena em movimento. A baixo disso, o movimento parece estar "quebrado". Para diminuir a "velocidade", a quantidade de FPS basta ir em: Menu > Settings > FPS ou Menu > Settings > Preferences (aba General).



Para salvar o vídeo basta ir em: menu > export avi.
Ao abrir a caixa de preferências do vídeo, para salvá-lo, é preciso dar um nome, escolher o formato (tamanho da tela da animação) e ainda o formato de compressão.
DV NTSC é um formato bom, porém é muito grande.
Para a compressão, podemos usar o Cinepak Codec By Radius.


O MonkeyJam permite trabalhar com camadas, como as do photoshop. Para isso basta acrescentar uma nova layer em menu > edit > new layer. Há a possibilidade de usar efeitos, como os do photoshop, na sobreposição destas camadas como Blend, Multiply e Darken, indo em: menu > settings > composite




Se desejar que um frame permaneça durante um tempo maior do que os outros, clique no frame desejado e acrescente novos frames a baixo dele em menu > edit > insert frame. Com isso, você pode acrescentar quantos frames desejar... se o bloco de baixo do frame selecionado ficar branco, basta arrastar o frame para baixo, clicando na parte em que há um retângulo da cor da layer. (na imagem está verde)
Não esqueçam de salvar seus arquivos em menu > file > save.
É interessante pensar na associação de softwares para obter o resultado que quiserem, como por exemplo usar o photoshop para aplicar efeitos, ilustrações nos frames. Após feita a edição do stop motion, pode-se unir as cenas, acrescentar áudio e ainda créditos e título no próprio Movie Maker.
Não recomendo o MonkeyJam para inserir o áudio, já que o preview dele não nos dá som.
Para a entrega dos cds, caso façam o menu igual aos apresentados em sala, seria interessante gravar dois cds ou dvds, um sendo neste formato ou em VCD e outro em AVI normal, já que alguns computadores travam quando tentamos abrir o dvd ou vcd.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Coisa de artista

No Mobilefest, evento de arte digital realizado em São Paulo, instalação de celular preso em uma caixa com cadeados questiona a cultura móvel

Adriano Visoni/Folha Imagem

Plantas que informam seus donos por telefone, SMS e Twitter foram expostas em São Paulo durante o evento Mobilefest

AMANDA DEMETRIO
DA REPORTAGEM LOCAL

Deixar um celular ligado, conectado à energia elétrica, dentro de uma caixa fechada com cadeados por cinco dias. Parece abstração de artista, e é mesmo. O trabalho, chamado Immobile Art, de Edgar Franco, foi uma das peças expostas na quarta edição do Mobilefest<www.mobilefest.org>. O evento, que terminou no último domingo, misturou arte e cultura móvel em São Paulo.
Logo ao lado do Immobile Art, ficavam situados três potes com celulares mergulhados em um líquido verde. O Criaturas Capturadas, de Cláudio Bueno, tentou pensar os celulares como criaturas levadas para estudo em um laboratório.
Outro destaque do evento foi o Projeto Botanicalls<www2.botanicalls.com>, que trouxe programas que permitem que plantas se comuniquem com pessoas por meio de telefone, mensagens de texto e Twitter.
As plantas recebem sensores, que medem fatores como a quantidade de água recebida durante o dia. Se o vegetal foi regado demais, por exemplo, o sensor avisa o software, que comunica o fato ao responsável.
Outra curiosidade apresentada foi o projeto Aphrodite, desenvolvido para prostitutas norte-americanas. Foram criadas sandálias com GPS, tela de LED e alarme que elas pudessem chamar a polícia a qualquer momento, mostrar um vídeo para conquistar um possível cliente e sempre saber onde suas amigas estão.
No mesmo projeto, foram criadas também peças de roupa e bolsas com tecnologias móveis integradas.
Com artistas de ao menos sete países presentes, o Brasil teve representantes como Fábio Fon e Soraya Braz. Eles criaram uma espécie de capa que capta sinais eletromagnéticos ao seu redor e, ao detectar um celular em funcionamento, dispara sons para tentar atrapalhar a ligação de quem se aproxima. O objetivo, segundo a organização, é questionar o caráter invasivo do celular.
Também quis fazer o público pensar a artista Rachel Jabobs, que criou o Dark Forest. Com sensores instalados em uma árvore no Reino Unido e em uma em São Paulo, a artista colheu dados para formar uma obra de arte mutante. O retrato ambiental ao redor da planta é projetado em imagens, que mudam segundo as condições das duas florestas.
Já Victor Viñas conduziu aulas sobre como monitorar o ambiente por meio de sensores feitos com objetos simples .
Clara Boj também apresentou seu projeto, uma espécie de playground eletrônico <www.lalalab.org/drupal>. A artista diz tentar tornar o espaço público mais divertido para os adolescentes integrando sensores de videogames e parques públicos.

+ em http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u655366.shtml

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Animação Stop Motion

Segue alguns vídeos muito interessantes desta técnica.





Quem tiver alguma sugestão de vídeos legais, basta compartilhar nos comentários ou por e-mail.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Fake Fake ilustraciones 2


Exposição - 07 a 20 de novembro de 2009 na Galeria Potrich - Goiânia - GO


Oficinas - Entrada Franca para todas as oficinas. Leve seus materiais! Para inscrições das Oficinas acesse o e-mail: fakefakeilustraciones@gmail.com,com seu nome completo, e-mail e telefone para contato.Vagas limitadas.


O FAKE FAKE Ilustraciones, é uma exposição coletiva de ilustradores criada por estudantes de Design Gráfico da Universidade Federal de Goiás (UFG) com o objetivo de trabalhar no limiar da arte e do design, assumindo com tamanha prepotencia, este ato que gera nosso diferencial. Acreditamos no nosso lado "fake", ou seja, falso. Trata-se do lado ilustrador: nem artistas, nem designers, e ao mesmo tempo, ambos. Não aceitamos limites de criação, consumimos e consumamos todas as influências possíveis, assim elevando o nível de nossa produção. Esse ano o FakeFake Aciones,com palestras e oficinas, foi criado com cunho de atingir mais do que uma exposição pode atingir. Quem sabe ano que vem o Fake Fake não vai para sua cidade?



Fonte: http://www.fakefakeilustraciones.com/

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Cinema

Olá pessoal,


Com o feriado, em plena segunda-feira, a folguinha poderá ser prolongada um pouco. Por isso deixo aqui a indicação de um filme de ficção. Distrito 9.


A humanidade esperava por um ataque hostil ou por gigantes avanços tecnológicos, nada disso veio. Os alienígenas chegam à Terra como refugiados e se instalam em uma área da África do Sul, o Distrito 9, enquanto os humanos decidem o que fazer com eles. A Multi-National United (MNU) é uma empresa contratada para controlar os alienígenas e mantê-los em campos de concentração e deseja receber imensos lucros para fabricar armas que tenham como "matéria-prima" as defesas naturais dos extraterrestres. Mas a MNU falha na tentativa de fabricação das armas e descobre que para que elas sejam ativadas, o DNA dos aliens é necessário. O tensão entre humanos e aliens aumenta quando Wikus van der Merwe espalha um misterioso vírus que modifica o DNA das criaturas impedindo a poderosa MNU de colocar em prática seus planos de exploração sobre as criaturas de outro planeta. Então o homem que se torna o mais procurado do mundo, tem que fugir, e sem casa e sem amigos, só tem um lugar onde se esconder: Distrito 9.

Yves Felix Amui - Nascimento


A água iluminada, brilhante, inflama-se, evapora-se no circulo do fogo

para produzir a vida, nessa, eterna, guerra de contrários

onde tudo se transforma se renova.

sábado, 24 de outubro de 2009

José Antônio Loures - Mitologia do Rock

Mitologia do Rock

Usando celebridades do mundo da música contemporânea, mostro de modo comparativo que elas se igualam aos famosos mitos gregos, obras artísticas consideradas perfeitas e divindades. Sendo transformados em seres divinos pela mídia e fãs.








Material:

Canetas, lápis, papel, scaner,em alguns desenhos foi usado uma tablet e o programa Photoshop Cs2.

Processo:

- Esboço feito a lápis em papel A4 e finalizado com caneta nanquim.

- Escaniamento do desenho em boa resolução.

- Cores, texturas e finalização feita no programa Photoshop Cs2.

- Impressão em papel fotográfico fosco 21 cm x 25 cm.


Natalia Murilo

A proposta desse trabalho é fazer um alerta para a relação entre o ser humano, a natureza e os objetos a sua volta por meio da modificação das texturas. Estamos cada vez mais abandonado nosso lado humano e nos tornando mais próximos das máquinas, destruindo, assim, o meio ambiente e até mesmo o convívio com nossos semelhantes.




segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Sugestão de Filmes

Gattaca - Experiência Genética


Nada de discriminação por raça, dinheiro: na sociedade do futuro mostrada nesse filme quem manda mesmo é o código genético de cada um. O protagonista é Vincent Freeman (Ethan Hawke), um cara comum e com genes imperfeitos que sonha tomar parte numa viagem tripulada à lua. Vai atrás de seus objetivos e com a ajuda de um médico, assume a identidade genética de Jerome (Jude Law), um ex-atleta genéticamente perfeito que depois de um acidente vive numa cadeira de rodas às voltas com o alcoolismo. Consegue ser escalado para a viagem à lua, mas as coisas se complicam quando o diretor da missão é assassinado e todos começam a ser investigados. O filme marca a estréia na direção de Andrew Niccol, o roteirista de O Show de Truman.

AI: Inteligência Artificial


Num futuro próximo, quando os recursos naturais são escassos e há um rígido controle de natalidade, robôs são criados para quase todo tipo de função: trabalhos domésticos, de escritório, fazer companhia, sexo. Mas, até agora, não para o amor. Apesar de a emoção ser uma fronteira controversa na evolução dos robôs, uma companhia criou o menino David (Haley Joel Osment), o primeiro robô programado para amar - e amar incondicionalmente. Ele é adotado por um casal cujo filho é portador de uma doença terminal e foi congelado até que a cura seja encontrada. Gradualmente ele se torna um filho, com todo carinho e atenção deste tipo de relação, mas uma série de circunstâncias inesperadas tornam essa vida impossível para David. O filho humano é curado e o casal é obrigado a se desfazer do menino-robô. Rejeitado pelos humanos e pelos andróides, contando apenas com a ajuda do robô Gigolô Joe (Jude Law), ele inicia uma jornada para encontrar seu lugar num mundo onde a linha que o separa das outras máquinas pode ser assustadora imensa ou quase imperceptível. Baseado no conto Superbrinquedos duram o verão todo , de Brian Aldiss. O projeto para o filme foi iniciado por Stanley Kubrick, que mesmo antes de sua morte, queria que fosse dirigido por Spielberg.

Outras sugestões:

Mulheres Perfeitas (para este filme, existem duas versões, vale conferir)

Joanna é uma executiva bem-sucedida que, após o fracasso de um reality show idealizado por ela, é demitida e sofre um colapso nervoso. Para descansar seu marido a leva para uma cidade do interior, Stepford, localizada no subúrbio de Connecticut, juntamente com seus dois filhos. Lá ela faz amizade com Bobbie e começa a notar uma estranha coincidência: todas as esposas do local obedecem com grande dedicação aos seus maridos, parecendo felizes com a situação. Joanna começa a investigar o caso e descobre a existência de um plano que evita os problemas familiares.

Meninos do Brasil

O ensansecido médico Joseph Mengele (Gregory Peck), que fez milhares de experiências genéticas com judeus (inclusive crianças), vive no Paraguai e planeja o nascimento do 4º Reich. Para obter tal objetivo, faz 94 clones de Hitler quando ele era um garoto. Mas isto não basta, pois diversas variáveis necessitam serem criadas para traçar o perfil psicológico de Hitler. Entretanto Ezra Lieberman (Laurence Olivier), um judeu que é um caçador de nazistas, descobre a trama e tenta impedir que tal plano se concretize.

Vilém Flusser - Filosofia da caixa preta


Segue o link que contém o texto do filósofo Vilém Flusser, "A Filosofia da Caixa Preta: Ensaios para uma futura filosofia da fotografia", para a produção da resenha.



terça-feira, 13 de outubro de 2009

Posthuman Tantra -Entrevista com Edgar Franco

ENTREVISTA COM EDGAR FRANCO (POSTHUMAN TANTRA) POR E. KERVAL – PARA O “PANORAMA JOURNAL”, da Colômbia – veículo especializado em arte, metafísica e transcendência.


A entrevista a seguir foi conduzida por mim (E. Kerval) com o propósito de informar a todos sobre as visões criativas de um dos mais importantes projetos de música ambiente/experimental da América do Sul e de todo o Planeta!!!

(Leia a entrevista original em inglês: http://www.panoramajournal.blogspot.com/ )

1 - KERVAL: Meus cumprimentos Edgar, e deixe-nos explorar a estrutura futurística do POSTHUMAN TANTRA. Nós poderíamos dizer que existe uma dimensão pós-humana para onde converge a sua visão de novas formas de vida desenvolvidas através de manipulação genética, clonagem e hipertecnologia, isto funcionaria como uma ambientação para a busca de níveis superiores de consciência que devemos explorar objetivando transcender a partir de seu universo?

Edgar Franco: A tecnologia pode ser algo soberbo se puder aliar-se aos aspectos transcendentes da essência universal que existe no seio da espécie humana. A completa hibridação entre homem, máquina, animal e vegetal não deve ser encarada apenas de um ponto de vista apocalíptico, é bem verdade que se essa hibridação ocorrer apenas como um fruto podre do sistema monetarista de lucros das grandes multinacionais (as verdadeiras bestas apocalípticas dos novos tempos) teremos realmente um cenário de colapso. Infelizmente muitas biotecnologias estão sendo desenvolvidas para disseminar organismos vivos patenteados e estéreis, uma subversão egoísta do verdadeiro caráter mágico da biotecnologia: a busca transcendente de um mito ômega! Hibridizar-nos a outras espécies para voltarmos a compreender que estamos realmente conectados a Gaia. Todas as demais espécies vegetais e animais são sangue do nosso sangue, as bases de nucleotídeos (Adenina, Guanina, Citosina e Timina) que compõem a vida na Terra são as mesmas para todas as criaturas. Somos todos um único organismo que está ligado pelo cordão umbilical chamado Gaia ao Universo!

A tecnologia pode ser um dos canais para a reconciliação com nossa essência cósmica. Eu creio na possibilidade da “singularidade”: o momento de convergência tecnológica que fará emergir uma nova humanidade - a pós-humanidade – abandonando os valores egóicos e limitantes da velha humanidade, promovendo o salto quântico, a transcendência quântica.

2 - Podemos observer que a hibridização através da manipulação genética entre humanos e outras formas de vida orgânica compõem boa parte de sua expressão artística. De que maneira essa concepção visual representa sua própria natureza a partir de uma perspectiva visionária? Você imagina esse processo de hibridização em um futuro não muito distante?

De forma intuitiva, desde a minha infância, eu sempre desenhei criaturas híbridas. Acredito que ao hibridizar em um ser características humanas e de diversos animais e vegetais estou dizendo iconograficamente que todos somos iguais e importantes, estou colocando nossa espécie em visceral conexão com as demais e não só com as espécies vivas de nosso planeta mas com inúmeras outras espécies cósmicas que vislumbro em meus transes artísticos. Para o bem, ou para o mal, a transgenia se realizará, já existem dezenas de animais trangênicos e até uma ovelha com 15% de genética humana foi criada. Eu vislumbro o momento em que a biotecnologia nós dará a possibilidade de nos transmutarmos em seres míticos como sereias ou centauros! E esse momento não será tão distante se pensarmos no crescimento exponencial dos avanços tecnocientíficos, cientistas e visionários como Ray Kurzweil e Hans Moravec acreditam que esse processo terá início dentro dos próximos 30 anos.

As minhas imagens híbridas fluem diretamente do inconsciente universal, portanto creio que traduzam simbolicamente mensagens da estrutura cósmica.

3 - De que maneira a exploração de diferentes facetas de sua consciência artística através da música, das artes visuais, da web arte, da magia e de outras formas de desconstrução das realidades interiores ajudam-no a criar um expressionismo futurista eclético e visionário, que obviamente reflete em sua existência e na do POSTHUMAN TANTRA também?

Vivemos em um mundo corrompido pelos dogmas, dogmas de toda natureza: étnicos, religiosos, culturais, sociais, morais e até dogmas artísticos! O sistema cartesiano ensina nas pseudo-universidades do globo que devemos dedicar-nos a apenas uma atividade – devemos agir como máquinas unifuncionais, repetindo sempre a mesma atividade pela vida afora, tornarmos-nos especialistas enfadonhos e vazios. Assim se você desenha deve só desenhar, se toca música deve só tocar, se esculpe deve só esculpir, esse é um reducionismo alienante e doentio, uma forma de apodrecer o espírito das pessoas mais rápido, robotizá-las e desviar o foco da felicidade para o “ter” e não para o “ser”, torná-las obcecadas por consumir, desviar delas o prazer de fazer e conhecer o novo pelo prazer de obter objetos. A felicidade do ter obstruindo o ser! Veja que grandes artistas, verdadeiros alquimistas da arte, como Dali, Da Vinci, William Blake, Buckminster Fuller e Jodorowsky são adeptos das múltiplas expressões, mantêm sua mente e espírito joviais ao criarem de forma ampla e irrestrita nas múltiplas vertentes de expressão artística! Acredito que quem domina uma arte, domina todas as artes! Portanto estou sempre aberto a criar nas mais diversas formas de expressão, desde a poesia, passando pelo desenho, pintura, escultura, música e chegando à arte conceitual e web arte. Para mim a arte é a maior de todas as ciências e também o maior canal mágico existente, a arte permite um diálogo amplo e irrestrito entre todos os assuntos e temas e ela fala diretamente ao inconsciente universal que existe no íntimo de cada ser por trabalhar diretamente com símbolos. Quando estou criando, estou realizando atos rituais de conexão profunda com o cosmos, o meu processo criativo é para mim a forma mais profunda e legítima de magia ritual! O Posthuman Tantra é uma das dimensões de minha arte ritualística e nasceu durante os estudos de meu Ph.D em artes na Universidade de São Paulo (Brasil), é a dimensão sônica de minhas visões pós-humanas.

4 - Você tenta expandir sua consciência a níveis mais altos com seu próprio universo ficcional baseadondo-se em suas experiências e aprendizados nesse nosso mundo mundano?

Ao longo dos anos os meus rituais de criação artística têm me mantido em contato íntimo com a essência universal, através da criação contínua e tendo o amor libertário pelo cosmos como base para meus processos criativos, tenho percebido gradativamente um aumento de minha doçura interior, de meu respeito por todas as criaturas. Ao vislumbrar outras esferas e universos paralelos em meus transes artísticos percebo a limitação de nossos 5 sentidos eleitos pelo cartesianismo-materialista como a base única para a compreensão dos fenômenos. Tenho percebido também a importância dos opostos complementares, das energias positivas e negativas que devem harmonizar-se e que a doçura pode conviver em um espírito forte. Respeito os dois caminhos: o do místico (que abdica da vida em função da busca da transcendência) e o do ocultista (que busca essa transcendência na sua vida cotidiana). Mas sou um ocultista que tem na arte o processo alquímico. Busco um ideal de “santo civil“, conceito do artista e ocultista Alejandro Jodorowsky – que se resume na idéia de ter uma vida normal, mas buscar internamente ajudar as pessoas, e todos os seres vivos na busca por seu equilíbrio e harmonia, desenvolver o conceito de amor incondicional, numa perspectiva que reúna a idéia de amor ao próximo e amor sob vontade de avatares como Jesus, Buda e Crowley. Obviamente sofro também dos males do “ego” e luto constantemente para livrar-me do apego materialista e da sedução publicitária que conecta felicidade à obtenção de coisas.

Na verdade minha arte é uma magia branca que fantasia-se de negra para combater a magia negra da publicidade (que trabalha para os monstros monetaristas das multinacionais) e camufla-se sempre como magia branca, coisificando o mundo.

5 - O álbum “Neocortex Plug-in” é uma dimensão mágicka eclética no qual todas as possibilidades estão abertas criando um vórtice de natureza múltipla, sempre dinâmica e fluindo em todas as direções. Como cada uma das músicas foi gerada para ele?

A temática de todas as músicas de “Neocortex Plug-in” envolve o embate entre os possíveis caminhos da nossa relação com os avanços tecnológicos e a transcendência. O álbum sofreu forte influência conceitual da obra de artistas visionários que refletem sobre a iminente condição pós-humana, como Orlan, H. R. Giger, Mark Pauline, Natasha Vita-More, Stelarc, Roy Ascott, Diana Domingues, Eduardo Kac, David Cronenberg, e alguns aspectos de movimentos como The Extropy, Transhumanism & Immortalism. Já a visão tecno-transcendentalista é inspirada por pensadores como R.A.W., Terence McKenna, Buckminster Fuller, Teilhard de Chardin, Aldous Huxley, Madame Blavatsky, John C. Lilly, Tim Leary, Giordano Bruno, John Dee, Gurdjief, A.O.Spare, William Blake, Rupert Sheldrake, Ken Wilber, P.K.Dick, Crowley, Stanislav Grof, Alejandro Jodorowsky, Alan Moore, entre outros.

Toda a concepção lírica de Neocortex Plug-in parte do universo ficcional da “Aurora Pós-humana”, apresentando múltiplas possibilidades para esse futuro hipertecnologizado. Aliadas a esses aspectos ficcionais eu incluo minhas investigações e experiências de transcendência e tecnognose, além de minhas buscas como magista caótico. Cada faixa envolve um conceito principal dentro desse contexto. Abaixo destaco os conceitos que engendraram os aspectos líricos e sonoros de algumas faixas presentes no álbum:

The Omega Neocortex: Faixa que abre o CD, com forte clima onírico & transcendente. Música instrumental na qual tentei capturar a essência da proposta do visionário Teilhard de Chardin, ele anteviu o surgimento de uma rede global que conectaria a consciência de todos os homens e seres vivos do planeta, chamou essa rede de “Noosfera”. Quando ela estiver completa Gaia acordará como um planeta consciente e nós seremos seus trilhões de neurônios, neurônios do grande “Neocortex ômega de Gaia”.

Visions From The Abyssal Neurogenetic Circuit: Faixa instrumental baseada nas possibilidades de transe através de realidades virtuais computacionais, transes tecnológicos semelhantes aos dos enteógenos. Transes que poderão fazer com que alcancemos as verdades universais através de nosso circuito neurogenético (presente no DNA). Trata da possível descoberta da consciência cósmica com auxílio da tecnologia. É inspirada nas reflexões de Roy Ascott & Robert Anton Wilson.

Glorification of our Nanotechpain: Música densa e obscura com várias participações vocais (entre elas a de Kenji Siratori – escritor cyberpunk Japonês & Mike, mentor da banda suíça TransZendenZ). O conceito que a engendrou trata das ameaças possíveis como a criação de nanorobôs que inicialmente serão gerados para erradicação de doenças, mas depois passarão a ser produzidos em larga escala de forma clandestina para inocular novas doenças e fazer uma poderosíssima indústria farmacêutica do futuro lucrar com a venda de “nanorobôs antídoto”. É o continuísmo, a alta tecnologia aliada ao velho mercantilismo e egoísmo humano.

Downloading my Universal Conscience Through Cyber Pulmonary's Pranayama: A técnica milenar do “Pranayama” utilizada em conexão com os novos dispositivos de imersão em realidades virtuais objetivando o alcance da consciência universal. É mais uma faixa tecnognóstica que propõe estas possibilidades.

Biotech Antenna to Receive Morphic Resonances from the Mu Continent: Esta faixa - que funde atmospheric, noise e industrial em sua sonoridade - trata de implantes biotecnológicos, unindo chips de silício a conexões neuronais. A criação de dispositivos tecnológicos que simulem realidades vegetais e possibilitem uma ligação neuroatómica com os circuitos ancestrais da humanidade, bebendo do conhecimento das primeiras raças cônscias que habitaram o planeta Terra, como a raça do extinto continente de Mu, descritas por Madame Blavatsky. Também envolve o conceito de “ressonância mórfica” definido pelo biólogo inglês Rupert Sheldrake.

My Eternal Avatar: Uma criatura digital que nos represente em um mundo de realidade virtual poderá viver eternamente, continuar existindo, carregando nossas memórias e desejos mesmo depois que nosso corpo biológico fenecer. É a faixa mais antiga do álbum e também a mais curta, foi a primeira que gravei, trabalhei em meus vocais por algum tempo para chegar à textura que desejava.

Hymn in Praise of the New Hyper Conscience Receptacles - The Flesh Rottens and Disappears, Image and Memory Still Remain: Às vezes sentimos uma estranha distância entre o que fomos no passado e o que somos agora. Olhamos fotos, ouvimos nossa voz gravada e não nos reconhecemos. A cada sete anos nossos átomos são substituídos completamente, nossa matéria não contém mais nada do que éramos, mas a memória permanece e nos dá identidade. Se conseguirmos transplantar essa memória e a mente com sua rede de ressonâncias mórficas universais, poderemos viver eternamente. Talvez seja minha faixa preferida de todo o álbum, abre com uma gravação que recuperei de uma velha fita cassete, eu e meu pai conversando no ano de 1976, eu tinha 5 anos de idade. Fecha com minha mãe entoando uma das canções que adorava cantar quando eu era criança. No meio dela ainda incluí as risadas de minha esposa – uma das coisas mais agradáveis do mundo para mim. Não consigo escutar essa faixa sem me emocionar.


Capa do CD "Neocortex Plug-in"

6 - Fale-nos um pouco sobre o videoclipe incluído em “Neocortex Plug-in” e quais foram suas necessidades expressivas de utilizar-se de um recurso multimídia para expressar a essência do álbum?

Este trabalho não é um videoclipe comum, trata-se de uma espécie de história em quadrinhos eletrônica que envolve interação reativa com o usuário para que ele possa fruí-la na íntegra. É um trabalho que envolve múltiplas formas de minha expressão artística, o desenho, a animação, a música e a poesia, uma produção multimídia que realmente sintetiza a proposta do álbum.Game-o-tech 2.0 é uma faixa interativa criada a partir de meus desenhos e montada no software Flash, no trabalho contei com o auxílio do web artista Fábio FON e ainda com participações especiais na guitarra e vocais. O título é um trocadilho/neologismo – utilizando o termo “brinquedoteca” e trocando o “Q” pelo “G”, criando Game-o-tech, no qual as letras G, T, C & A fazem referência explícita às bases de nucleotídeos do DNA - guanina, timina, citosina e adenina. Já o 2.0 refere-se a essa nova versão de uma brinquedoteca infantil – um playground pós-humano.

No trabalho as criaturas híbridas “humanimais” e os andróides são apresentados como produtos, objetos vivos patenteados para servirem como brinquedos para as crianças nesse contexto futuro. As brincadeiras desse novo playground são sádicas e cruéis, envolvendo sofrimento e dor das criaturas vivas – meros objetos de diversão para seus interlocutores – eles metaforizam os brinquedos tecnológicos contemporâneos, sobretudo o universo dos games de computador tão repleto de violência sanguinolenta coreografada.

A destruição sádica dos avatares inimigos nos games é substituída na brinGuedoTeCA pela vivissecação dos novos brinquedos biotecnológicos patenteados pelas multinacionais. As antigas coreografias virtuais tornam-se novas experiências de crueldade divertida para essas crianças de moralidade reestruturada pelos processos tecnológicos. No final o prazer do poder sobre as “vidas híbridas coisificadas” confunde-se com um orgasmo.

O trabalho reflete sobre a aceleração da coisificação da vida através dos processos de criação e patenteamento de seres vivos híbridos, trata também de possíveis reestruturações na ordem moral e ética humana a partir dos ditos avanços tecnológicos.

7 - Sabemos que o primeiro álbum do POSTHUMAN TANTRA, “Pissing Nanorobots”, teve inspiração e influência de alguns filmes de David Cronenberg. Em quais filmes do diretor Canadense você inspirou-se para capturar a essência dos conceitos criativos do CD?

Pissing Nanorobots foi o primeiro CD do Posthuman Tantra lançado de forma independente em 2004. O trabalho foi concebido como uma reflexão conceitual sobre as possíveis sexualidades renovadas e reformatadas no contexto da “Aurora Pós-humana”, incluindo 14 faixas. Em meu universo conceitual pós-humano a evolução tecnológica e da consciência possibilitou a migração psicossexual dos desejos da atual era Freudiana - estruturada sobre traumas e tabus sexuais, além dos desejos reprimidos -, avançar para uma era Junguiana - acesso ao inconsciente das espécies -, e finalmente mergulhar em uma era Grofiana (Stanislav Grof), caracterizada pela penetração no inconsciente universal. Mas nos estágios iniciais de aceleração tecnológica a sexualidade em transformação produzirá novas perversões e múltiplas insanidades como robô-copulações doentias, a criação de andróides escravos sexuais e a degeneração de alguns humanos que vibram só nas baixas freqüências. Ao longo das décadas a liberação sexual pós-humana terá resultados positivos, pois liberará a humanidade do estigma Freudiano.

No contexto do meu universo ficcional da “Aurora Pós-humana” a sexualidade das criaturas é a mais variada e iconoclasta. Imagine que existem os mais diversos humanimais, como híbridos de mulher e golfinho, homem e cavalo, e todos podem ser hermafroditas, possuindo múltiplos órgãos sexuais masculinos e femininos. Você pode colocar um pênis de asno em sua testa e sua parceira uma vagina de baleia entre os olhos. Na “Aurora Pós-humana” a genética está tão avançada que consegue produzir essas aberrações e irrigá-las, além de gerar novas conexões neuronais múltiplas, ampliando a região cerebral responsável pelo orgasmo. Os tabus e taras sexuais podem ser quebrados e vividos livremente. No contexto de meu universo essa total liberação sexual propõe que as amarras sexuais nunca foram um problema real, toda a moral era simplesmente um bloqueio ancestral baseado em dogmas arcaicos. E com a liberação e realização completa dos desejos sexuais as criaturas podem finalmente concentrar seu pensamento e desejo em uma verdadeira evolução da consciência na busca da transcendência.

O álbum Pissing Nanorobots parte dessa concepção de sexualidades pós-humanas como conceito instigador para a geração das músicas, faixas como Cum Nanochips e Cloneborg Chamaleon’s Body traduzem em sons industriais ambientais as múltiplas formas de copulação nesse contexto ficcional pós-humano. A faixa Penetrate the Virgin Bioport é um tema deliberadamente criado com inspiração no filme eXistenZ (Canadá, 1999) do cineasta canadense David Cronenberg, nele, a “bioborta” é um orifício aberto na base da coluna vertebral para receber o plugue de um game biológico que é alimentado a partir do sangue do jogador que flui através dele. No filme a bioporta tem esse duplo sentido, ao mesmo tempo que abre a conexão para esse mundo de ilusões virtuais também é um novo orifício corpóreo com conotações sexuais, algo como um segundo ânus. Existe algo de grotesco e ao mesmo tempo curioso nessa fascinação de Cronenberg por orifícios tecnológicos, uma espécie de tecnofetichismo que também aparece em outro de seus grandes filmes Videodrome (Canadá, 1983). Penetrate the Virgin Bioport é uma elegia musical inspirada por esse fetichismo pós-humano. Também em Pissing Nanorobots existe outra homenagem explícita a Cronenberg, a faixa Allegra Geller’s Memorial, composta em memória da programadora de jogos do filme eXistenZ que se chamaAllegra - em um de seus jogos você literalmente é Deus, esse é o seu papel no game - uma estranha e brilhante proposta de neo-transcendência, viver como Deus em um universo de realidade virtual, passar toda sua vida lá, numa matrix divinatória.

8- Você poderia nos dar sua opinião sobre os seguintes assuntos: realidades virtuais, robótica, hermafroditismo, hipertecnologia, tecnofetichismo e de que maneira esses elementos poderão auxiliar-nos no sentido de alcançarmos níveis superiores de consciência através de sua exploração nos próximos milênios?

Vou tratar brevemente de cada um dos assuntos propostos por você:

As realidades virtuais aliadas à experiências com as antigas realidades vegetais (transcendência através do uso de enteôgenos, as plantas de poder como a Ayahuasca) e aos transes artísticos podem abrir portas para uma compreensão mais ampla e dinâmica de nosso lugar no universo.

Através da robótica, da criação de próteses biônicas e biorobóticas e de processos de substituição de órgãos e sistemas do organismo de base carbônica, vamos aos poucos percebendo como nossa essência vai muito além do corpo físico-material, finalmente quanto chegarmos ao momento da tecnologia da transbiomorfose – transferência de nossa consciência e memória para um biochip, perceberemos como somos criaturas imateriais e imortais.

Ao transmigrarmos para um corpo biotecnológico híbrido teremos a chance de experimentarmos os múltiplos aspectos da sexualidade, sermos hora Yin, hora Yang, resgatando o hermafroditismo de uma das primeiras raças da Terra, segundo a cosmogonia de Blavatsky. Poderemos ter os opostos complementares novamente em uma única criatura. Seria uma excelente oportunidade, uma poética viva! È sempre bom lembrar que isso poderá vir a realizar-se caso a idéia de lucro não contamine toda a evolução biotecnológica e a transforme em mais um produto do monetarismo egóico.

A idéia de technofetichismo pode chegar a um ponto glorioso que irá finalmente resolver todas as doenças e taras sexuais que foram impressas no inconsciente coletivo da espécie humana nos últimos 5 milênios, quando tivermos os primeiros biobotshipertecnológicos que imitem com perfeição o humano, teremos a chance de realizar todos os obscuros desejos sexuais que existem em nosso ID e expurgar de vez esses desejos tornando-nos puros, pois para que ocorra a transmutação é preciso descermos o mais fundo no abismo do self!

Tudo isso são conjecturas, possibilidades que vislumbro, mas existem linhas de realização múltiplas, o destino de nossa espécie depende verdadeiramente de nossa compreensão do todo, de nossa reconexão com o universo, se essa compreensão frutificar a tempo, teremos chance de experimentar verdadeiramente o êxtase divinatório através dos processos tecnológicos.

9 - Por favor, fale-nos um pouco a respeito de seu projeto musical chamado POSTHUMAN WORM e das relações sexuais copulativas entre humanos e robôs tratadas por ele?

No Japão os robôs de companhia estão sendo desenvolvidos e existe uma grande preocupação em duplicar expressões humanas neles, fazê-los quase humanos, ou seja, humanóides. Mas na falocracia norte americana a maioria dos robôs continuam inumanos e burros, monstros metálicos feitos para a guerra. Na “Aurora Pós-humana” é do extremo oriente que surgem os primeiros escravos sexuais pós-humanos, robôs como no filme A.I. (2001, EUA, Spielberg & Kubrick). Em minha ficção, nos primórdios transumanos ainda existe uma grande resistência à clonagem e criação biotecnológica, portanto as bonecas biotecnológicas sexuais – de carne e osso – mas com o cérebro positrônico, surgem apenas em uma segunda fase. Em minha FC tento projetar-me no futuro, realizar um verdadeiro salto quântico para vestir a pele desses seres que habitam um mundo hipotético, ao mesmo tempo refletir metaforicamente sobre a realidade contemporânea da imbricação homem-tecnologia. Eu coloco um pouco de mim e de todos os meus questionamentos, incertezas, vicissitudes e contradições em cada um de meus seres, minhas personagens são múltiplas frações de minha alma, retratos fractais holográficos daquilo que está no meu interior.

O “Posthuman Worm” é um projeto paralelo com o qual já realizei alguns poucos CDs, esta segunda banda é um agressivo e furioso manifesto minimalista “sci-fi cyber gore” no qual a temática é resumida a sexo pervertido e inimaginável entre as criaturas pós-humanas na fase primeva de degenerescência sexual que advirá inicialmente com o avanço tecnológico.

No projeto eu tento imaginar as mais pútridas e grotescas formas de robô-copulação e transas entre híbridos humanimais, também mostro humanos “normais” se encontrando com essas criaturas para realizar suas fantasias doentias. Esse projeto refere-se ao nigredo alquímico, o fundo do poço mais abissal a que a humanidade deverá chegar para assim finalmente iniciar sua ascensão para a verdadeira consciência cósmica. Para mim é um repositório de meu lado obscuro, minha faceta mais cruel, sanguinária e doentia, eu a expurgo e purifico minha essência criando essas músicas e imaginando essas aberrações. É um exercício criativo catártico poderoso. Todos nós devemos conseguir balancear bem os opostos complementares de nosso ID, para que exista o Posthuman Tantra – a cada dia mais tecnognóstico – é necessário existir o Posthuman Worm – o lado podre e obscuro de minha alma. Eis aqui o título de algumas músicas do POSTHUMAN WORM e o seu significado:

Cyborg Siamese Real Doll Penetration – A faixa propõe uma cópula alucinada de um humano com uma boneca ciborgue no estilo das “real dolls”, só que nesse caso trata-se de uma “siamese real doll”, isto é, uma boneca ciborgue gêmea siamesa em que as irmãs são pregadas pelos lados de forma invertida, assim enquanto ele transa com uma pode ir fazendo cunilinguis na outra...uma perversão realmente insana.

Dog Human Transgenic Girl – Essa simplesmente relata uma transa sensual com uma garota híbrida de cadela e humana, com uma enorme língua e um rabo que fica acariciando o parceiro...

Fucking Fat Hole With Bionic Killer Dildo – Essa apresenta um robô escravo sexual atendendo os desejos de sua dona humana obesa de 180 kg e utilizando uma espécie de pênis biônico de grande performance para satisfazê-la durante horas ininterruptas.

Veja que tudo é realmente levado aos limites do impossível, um mergulho completo nas taras obtusas do reprimido e doentio mundo da fase Freudiana em que vivemos. Ao transformar minha fase freudiana em arte eu purifico um pouco mais o meu espírito, expurgo de forma lúdica essa faceta.

10 - Os sonhos são portais para a infiltração de entidades de dimensões estelares, e a utilização de intercursos sexuais entre nós e essas entidades são um caminho para obtermos certo conhecimento, a esse respeito podemos citar as experiências de Spare e Crowley – só para nomear alguns. Você mantém contato com essas distantes forças alienígenas ou você pensa que são manifestações de nosso subconsciente?

Eu tenho contato contínuo com essas entidades através de meus transes artísticos e prefiro não definir a sua procedência – como ETS, espíritos extra-dimensionais ou aspectos de meu inconsciente – pois se decidir acreditar em uma dessas hipóteses estarei eliminando as demais e transformando as experiências em dogma. Prefiro simplesmente viver essas experiências fantásticas livremente e tentar transcender a outros níveis de consciência através do contato íntimo e efetivo com esses “seres”, independente do que eles sejam, sem a necessidade cartesiana de nomeá-los, classificá-los.

11 - Você trata de um caminho de desenvolvimento da consciência planetária a altos níveis, quando todas as mentes estarão conectadas em uma forma de hiperconsciência chamada Gaia. Como você avalia o atual processo de desenvolvimento da humanidade, sabendo de suas limitações mentais e temores criados por ilusões como a religião e a política?

Essa é uma questão complexa, Teilhard de Chardin vislumbrou o surgimento da Noosfera, uma teia que conectaria todas as mentes do planeta e que resultaria em uma forma de singularidade, uma mente holotrópica, uma hiperconsciência global. Alguns pensadores como o francês Pierre Lévy, o canadense Derrick de Kerchove e o inglês Roy Ascott apontam, de certa maneira, a Rede Internet como essa forma emergente de consciência planetária em processo de expansão. Em certa medida eu acredito nisso e espero que o caráter libertário, anti-monetarista e fraterno da rede resista aos constantes ataques do capital que está abalado totalmente em suas estruturas. Veja só o caso da grotesca indústria do entretenimento que transformou toda arte em produto: eles estão ruindo, pois a arte flui livremente na rede, é de todos e para todos. Em sua essência a Internet implode a idéia de capital – é uma tecnologia que parece ter surgido na ânsia tecnocapitalista de lucro, no entanto está totalmente na contramão dessa ideologia, é anárquica e libertária. Mas a batalha será árdua e eu acredito nos hackers, os verdadeiros anjos sagrados da web que lutam para mantê-la pura e não corrompida pelo lucro. Se o caráter anárquico-libertário da rede prevalecer, certamente assistiremos o surgimento da noosfera e esse dilúvio informacional irá corromper a frágil estrutura dogmática arcaica e reducionista da religião, da política e da economia – dogmas podres que a pós-humanidade transcendente terá orgulho de ter enterrado no passado!

12 - Algum novo material esperando para ser gravado ainda? Fale-nos um pouco sobre a série de CDs gravados em parceria com a banda francesa MELEK-THA? Algum outro trabalho colaborativo no futuro? Talvez com o meu projeto EMME YA?

Sim, no momento o novo álbum do Posthuman Tantra está sendo masterizado na Suíça, a expectativa é que ele seja lançado em breve. É o meu trabalho mais ousado e criativo, contará com 14 músicas e uma faixa interativa que inclui um videoclipe inédito e ainda um novo e-comic nos moldes de Game-o-tech. O título do novo álbum é “Transhuman Reconnection Ecstasy”e os conceitos de tecnognose e reconexão cósmica foram trabalhados de maneira mais refinada ainda em todos os aspectos, da capa, passando pelas letras e chegando à música.

Sobre a continua parceria do Posthuman Tantra com o Melek-tha (França), a obra mais ousada até agora foi a "Quadrilogia Kelemath", um extenso trabalho de criação musical e imagética que durou 3 anos para ser desenvolvido. Uma quadrilogia composta por quatro "boxes", cada uma delas incluindo 3 CDs musicais e ainda cards e adesivos especiais e exclusivos. O conceito que gerou a quadrilogia trata de uma invasão alienígena à Terra durante um período de grande avanço tecnológico do planeta e também enorme deterioração da moral e caráter humanos. A raça extraterrestre híbrida provinda de Sirius - do planeta KELEMATH, chega à Terra com o objetivo de destruir por completo a espécie Humana e as subespécies Extropiana & Tecnogenética. A saga contada nas 4 boxes através da música industrial ambient criada pelas bandas dura mais de 12 horas e conta com mais de 25 cards exclusivos criados por mim para ilustrar a invasão, com criaturas alienígenas e imagens simbólicas da dominação. A terceira caixa conta ainda com um vídeo de 30 minutos editado com minhas ilustrações & imagens que Legeune Ludovic criou para a saga. A quadrilogia é composta pelas "boxes" : "Legion From Kelemath" (2005), "Doctrines From The Kelemath New Empire" (2006), " Drums of War" (2007) e "Alien Emperor Eternal"(2008). Além desses trabalhos também realizei em parceria com o Melek-tha a Box Set “Asylum of Slaves” (2007) e o álbum duplo “Necronomicon Gnosis – HP Lovecraft Serie”.

No início de 2009 foi lançado pelo selo brasileiro Sonoros Records o 3”EP “Nanobots Remixed”, parceria entre o Posthuman Tantra e o Sobota; e em agosto de 2009 foi lançado pelo selo inglês Black Pyramid Records o 3” EP “Transbiomorph’s Necronomicon”, parceria entre o Posthuman Tantra e a escritora e ocultista polonesa Asenath Mason – que coloborou gravando suas vozes e escrevendo algumas letras.

Sua compreensão dos objetivos transcendentes do Posthuman Tantra através dessas questões faz com que uma futura parceria entre nossos projetos seja algo muito bem vindo! Vamos conversar a respeito!



Capa do CD "Transbiomorph's Necronomicon"

13 - Bem Edgar, essa é uma entrevista breve e informativa sobre os mais relevantes aspectos de sua obra e do POSTHUMAN TANTRA.

Sim, meu amigo Kerval, você demonstrou um entendimento amplo da proposta do Posthuman Tantra e suas perguntas foram algumas das mais inteligentes e sensíveis que já respondi! Muito obrigado e um abraço pós-humano a você, a todas as criaturas e espécies desse universo e de todos os demais universos paralelos. Aos interessados em conhecer mais sobre o Posthuman Tantra e meu trabalho como artista multimídia visitem:

Myspace: www.myspace.com/posthumantantras

Site Oficial: www.posthumantantra.legatusrecords.net

Site de Web Arte “O Mito Ômega”: www.mitomega.com

E-mails: oidicius@hotmail.com / edgar@legatusrecords.net